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Platos prontos para comer: Tendência em ascensão

Os pratos prontos a consumir, também conhecidos como produtos de quinta gama, deixaram de ser uma solução ocasional para se tornar uma tendência consolidada nos hábitos de consumo dos espanhóis. Este fenómeno responde a uma mudança profunda no estilo de vida: a falta de tempo para cozinhar impulsiona a procura de soluções práticas e rápidas, ao mesmo tempo que os consumidores demonstram um interesse crescente em manter uma alimentação saudável.

 

A consolidação da quinta gama

Os dados refletem claramente esta evolução. Em 2025, cada espanhol consumiu uma média de 18 quilos de pratos preparados, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, enquanto o consumo alimentar geral crescia apenas 0,6% ao ano até novembro. Se compararmos com a situação de há uma década, o consumo aumentou quase 40%, o que equivale a aproximadamente mais cinco quilos por pessoa.

Este crescimento contrasta com a evolução de outros alimentos tradicionais. Nos últimos dez anos, o consumo de peixe em Espanha reduziu-se perto de 30%, enquanto o da fruta fresca caiu mais de 25% nas famílias espanholas. Algo semelhante ocorre com outros produtos básicos como o leite ou os leguminosos, refletindo uma transformação profunda nos hábitos de vida e na forma de se alimentar.

 

A adaptação da indústria e o papel do retalho

Diante deste novo cenário, a indústria alimentar soube adaptar-se ao estilo de vida moderno, desenvolvendo soluções prontas a consumir que combinam conveniência, variedade e uma melhoria do perfil nutricional. Esta categoria tornou-se num dos grandes vectores de crescimento do retalho alimentar atual, o que obriga as redes de distribuição a adaptar-se estrategicamente.

Para isso, os supermercados foram alargando progressivamente a oferta, melhorando a visibilidade na loja, desenvolvendo espaços de conveniência e otimizando a logística e a rotação de produtos —muitos deles frescos e com vida útil limitada—. Atualmente, trabalham com diferentes formatos, desde produtos para aquecer em casa até secções de alimentos preparados prontos a consumir no lar, no próprio estabelecimento ou “on the go”.

Um exemplo de destaque é o da Mercadona, líder do setor em Espanha, que em 2018 lançou o seu serviço “Pronto a Comer”. Esta iniciativa combina a venda de pratos preparados com espaços habilitados para os consumir dentro do próprio supermercado, integrando assim o conceito de conveniência no ponto de venda. Desde então, o crescimento desta categoria tem sido significativo. Só em 2025, este serviço aumentou 20%, atingindo perto de 3.000 milhões de euros de faturação, o que representa aproximadamente 7,16% do total de vendas da empresa. Atualmente, mais de 1.100 supermercados em Espanha e Portugal contam com este espaço, e a empresa prevê alargar a secção a toda a sua rede antes de 2033.

Em paralelo, outras grandes redes de distribuição em Espanha também estão a reforçar o seu investimento neste tipo de consumo, expandindo a oferta e desenvolvendo novas soluções de consumo imediato.

 

Um mercado em expansão para os fabricantes

O crescimento da procura reflecte-se também na evolução do mercado industrial. Em 2025, os fabricantes de pratos preparados atingiram uma faturação conjunta de 4.308 milhões de euros, o que representa um aumento de 5% em relação ao ano anterior e de 11% face a 2023.

Este mercado inclui diferentes tipologias de produtos: congelados, à temperatura ambiente e refrigerados. Entre elas, a categoria refrigerada é a que apresenta maior dinamismo, com um crescimento próximo de 7% no último ano, gerando 2.368,7 milhões de euros em vendas, o que representa aproximadamente 55% do total do setor. São estes os que maior popularidade têm vindo a ganhar nos últimos anos, contando com uma maior presença nos lineares dos supermercados.

 

Rumo a um novo modelo de consumo alimentar

O auge dos pratos prontos a consumir não responde apenas a uma questão de conveniência, mas reflete uma evolução estrutural no modelo de consumo alimentar. A conjugação de mudanças demográficas, novas rotinas laborais e a busca de soluções que facilitem a preparação das refeições está a impulsionar o desenvolvimento desta categoria em toda a cadeia de valor.

Tudo aponta para que esta tendência continue a evoluir para propostas cada vez mais especializadas e diferenciadas, com maior foco na qualidade dos ingredientes, no equilíbrio nutricional, na sustentabilidade e na personalização da oferta. Um novo paradigma alimentar que coloca o consumidor no centro, sem renunciar ao sabor nem à qualidade.

Platos listos para comer: Tendencia en auge