O ano de 2025 foi, para o setor agroalimentar europeu, um exercício de transição e clarificação. Depois de vários anos marcados pela inflação, tensão nos custos e mudanças nos hábitos de consumo, o mercado começa a apresentar padrões muito mais definidos sobre que tipos de empresas geram interesse real por parte de investidores e grupos industriais.
Três fontes estão a impulsionar o mercado: Fundos de private equity com dry powder que necessitam de investir, grupos industriais que não conseguem crescer apenas de forma orgânica, e Family offices à procura de refúgio em ativos reais, defensivos e ligados ao consumo básico.
O que estamos a ver é um processo de seleção natural. O capital continua ativo, mas dirige-se de forma cada vez mais precisa para empresas com posicionamento estratégico, capacidade de diferenciação e potencial de crescimento estrutural. Não há falta de dinheiro, há falta de ativos verdadeiramente atraentes. E isso gerou esta pressão de seleção: os compradores já não pagam múltiplos por “tamanho”, mas pela posição estratégica.
Segmentos e oportunidades-chave
Existem alguns segmentos dentro do setor agroalimentar para os quais se estão a pagar primas especiais, como pode ser o segmento dos ingredientes funcionais e técnicos. Estas empresas recorrem a uma elevada dependência técnica por parte dos seus clientes, o que lhes confere maior poder na definição de preços e gera maiores barreiras à saída. Por isso, as operações neste segmento podem continuar a fechar a múltiplos de dígito duplo, consoante o subsector em que atuem.
Por outro lado, encontramos também o segmento Ready-to-eat e soluções de conveniência, que acompanha as boas tendências de crescimento que tem vindo a manter nos últimos anos. Isto deve-se à mudança estrutural no consumo que estamos a vivenciar: Menos tempo, menos cozinha, mais soluções já feitas para comer. As plataformas de pratos preparados, proteínas cozinhadas e soluções refrigeradas estão a receber um interesse enorme, especialmente se tiverem uma marca própria ou contratos recorrentes com clientes, bem como uma tecnologia produtiva diferencial. Nestes casos, não se compra apenas um ativo produtivo, mas sim um bilhete de entrada para uma categoria em crescimento.
Por fim, estamos a ver um interesse especial na distribuição especializada. Aqui não falamos de distribuidores generalistas, mas de foodservice especializado, horeca premium e retalho especializado (bio, gourmet, étnico, funcional). Estas plataformas são mais valiosas por controlar o acesso ao cliente final. Por isso, os grandes grupos estão a comprar distribuidores como forma de integrar o mercado a jusante.
Relevo geracional
A outra grande força do mercado é o relevo geracional. Aqui está a verdadeira onda que vem aí. Em Espanha, França, Itália e Portugal existem milhares de PME agroalimentares com marcas fortes, fábricas rentáveis e relações comerciais sólidas …mas sem sucessão real. Durante 2025 já o vimos: muitos proprietários passaram de “não me vendo” a “talvez devesse ouvir”. E em 2026 isto vai acelerar.
Não se trata de oportunismo financeiro, mas de uma realidade demográfica: fundadores de 60–75 anos, filhos que não querem ou não podem continuar, empresas demasiado grandes para fechar, mas demasiado pequenas para se profissionalizarem sozinhas. Isto criará uma avalanche de oportunidades, mas também uma seleção brutal: as empresas bem preparadas vender-se-ão bem, as que esperarem demasiado irão pior.
Tendências para 2026
De cara a 2026, nuestra previsión es clara: El dinero seguirá ahí. Los compradores seguirán activos, pero la brecha entre buenos y malos activos será mayor. Veremos más competitividad en los procesos, más estructuras híbridas (earn-outs, minorías, reinversión del vendedor) y más foco en calidad del EBITDA, no tanto en volumen.
O setor agroalimentar está a entrar numa nova fase. Não é um mercado em crise, é um mercado que amadureceu. A grande pergunta já não é tanto se haverá operações. A pergunta é quem estará preparado para as aproveitar.
Conclusões
A profissionalização do M&A no setor já não é opcional: quem não chegar com números claros, relato estratégico e estrutura adequada ficará fora do radar dos grandes compradores.
Da TAE Europa, somos conscientes da particularidade e importância do setor agroalimentar em toda a sua cadeia de valor, e acompanhamos os nossos clientes em cada transação. Trata-se de processos únicos para o empresário/a com um impacto direto em muitos intervenientes (empregados, clientes, fornecedores…), pelo que é necessário antecipar-se e preparar-se de mãos dadas com consultores especializados. Não apenas para maximizar a rentabilidade, mas para otimizar o tempo e a energia que também acarreta, e que pode ser uma espada de dois gumes se não for realizado correctamente. Durante este processo, a empresa não deve perder valor e, para isso, o empresário/a deve estar focado no que sabe fazer: gerir o seu negócio.
